Entendendo os ataques de força bruta
Um ataque de força bruta é como bater em uma porta trancada até que ela finalmente ceda. A pura persistência pode eventualmente compensar mais do que a sutileza. Os hackers que utilizam esse tipo de ataque empregam o método de tentativa e erro para adivinhar senhas, descriptografar dados confidenciais ou invadir sistemas, sites ou redes protegidas.
Por exemplo, um invasor pode começar com palavras comuns ou detalhes pessoais (digamos, o nome do seu primeiro animal de estimação: Fofinho) e depois testar variações com números ou símbolos até acertar a combinação correta (Fofinho123).
Embora a força bruta seja um dos truques mais antigos do manual de invasão, ela permanece alarmantemente eficaz. Os invasores modernos potencializam o processo usando ferramentas especializadas como o Hashcat, permitindo que testem milhões de combinações de senhas em segundos.
Esses ataques são mais bem-sucedidos contra senhas fracas ou reutilizadas. É por isso que credenciais fortes e exclusivas, e proteções em camadas, são sua melhor defesa.
Senhas com uma mistura de caracteres, letras minúsculas e maiúsculas, símbolos e números, são mais difíceis para os hackers quebrarem.
Tipos de ataques de força bruta
O termo vem do fato de que os invasores contam com a pura força de tentativas rápidas para invadir sistemas e roubar dados confidenciais. É uma das formas mais comuns de quebra de senhas, e os hackers empregam várias variações do ataque.
Ataques de força bruta simples
Requisitos: tempo, persistência e senhas fracas.
Em um ataque de força bruta simples, um hacker tenta adivinhar manualmente e sistematicamente as credenciais de login de um usuário sem depender de ferramentas automatizadas. É o equivalente digital de tentar todas as chaves de um enorme chaveiro até que uma se encaixe na fechadura.
Os invasores geralmente começam com as escolhas mais óbvias e comuns, como “1234”, “qwerty” ou “senha123”. Alguns podem até fazer uma pesquisa leve, como verificar mídias sociais em busca de detalhes pessoais (o nome de um animal de estimação, um aniversário ou o nome de solteira da mãe) para fazer suposições mais embasadas.
A defesa mais eficaz é usar senhas longas, complexas e únicas. Ao aumentar drasticamente o número de combinações possíveis, essas senhas tornam as tentativas de força bruta lentas, impraticáveis e raramente valem o esforço. Em contraste, senhas curtas ou previsíveis são alvos fáceis, oferecendo aos hackers uma vitória rápida.
Ataques de dicionário
Requisitos: listas de palavras pré-compiladas, tempo e senhas fracas.
Diferente de um ataque de força bruta puro que tenta todas as combinações possíveis, um ataque de dicionário depende de listas pré-compiladas de palavras e variações comumente usadas como senhas. Pense nisso como folhear um dicionário, testando uma entrada após a outra até que a correta desbloqueie a conta.
Os invasores costumam aprimorar essas listas com variações previsíveis, como trocar letras por números ou adicionar caracteres especiais. Embora exija mais raciocínio do que apenas força bruta, é frequentemente combinado com métodos de força bruta para acelerar o processo de adivinhação.
Os ataques de dicionário são mais lentos e menos eficazes contra passphrases fortes e exclusivas. Se sua senha não aparece em listas de palavras comuns e não está ligada a informações pessoais (como nomes de animais de estimação ou aniversários), os invasores que usam esse método têm muito menos chances de sucesso.
Ataques de força bruta híbridos
Requisitos: listas de palavras pré-compiladas, tempo e senhas previsíveis.
Um ataque de força bruta híbrido combina os métodos de um ataque de dicionário com a persistência da força bruta pura. Os hackers geralmente começam com um nome de usuário conhecido, depois percorrem um dicionário de palavras prováveis (como nomes, frases ou locais) e terminam anexando combinações previsíveis de números, datas ou símbolos.
As técnicas comuns incluem:
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Pegar uma palavra do dicionário como “senha” e alterá-la levemente para criar “s3nh@”.
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Combinar palavras com números ou símbolos, como “Voceemeu2023”.
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Reciclar senhas vazadas em violações de dados para ver se ainda funcionam em outras contas.
Ao combinar suposições com reconhecimento de padrões, esse método consegue quebrar senhas complexas demais para ataques de dicionário simples, mas previsíveis demais para resistir a ataques de força bruta. Senhas que misturam palavras reais com acréscimos óbvios são especialmente vulneráveis.
Ataques de força bruta reversos
Requisitos: listas de contas de usuários e senhas reutilizadas.
Um ataque de força bruta reverso inverte o método tradicional. Em vez de bombardear um único nome de usuário com infinitas suposições de senha, os invasores pegam uma única senha fraca, como “123456” ou “senha”, e a testam em uma enorme lista de nomes de usuário. Com contas suficientes, as chances são altas de que pelo menos alguém esteja usando a senha selecionada.
Os hackers costumam depender de violações de dados para obter essas listas de nomes de usuário. Bancos de dados violados podem conter milhares (ou até milhões) de contas, dando aos invasores amplas oportunidades de atacar. O perigo se multiplica quando as pessoas reutilizam a mesma senha fraca em várias plataformas. Um login comprometido pode se transformar em várias invasões de contas, como uma fileira de dominós caindo.
Preenchimento de credenciais
Requisitos: credenciais roubadas e senhas reutilizadas.
Preenchimento de credenciais é um ataque automatizado e simplificado que se aproveita de pessoas que reutilizam as mesmas credenciais de login em várias contas. Em vez de adivinhar senhas, os hackers pegam nomes de usuário e senhas roubados, muitas vezes vazados em violações de dados, e os “preenchem” em outros sites e apps para ver onde mais funcionam.
Como muitos usuários reutilizam credenciais, essa variação astuta de ataques de força bruta é rápida e altamente eficaz. Os invasores usam bots para testar milhares de combinações de login em minutos, muitas vezes passando despercebidos pelos sistemas de segurança básicos.
Senhas fortes são a criptonita para os ataques de força bruta, e gerenciá-las é muito mais fácil com a ferramenta certa. O AVG BreachGuard vem com um gerenciador de senhas integrado e um cofre seguro para proteger seus logins, sincronizando-os em todos os seus dispositivos. Ele não apenas ajuda a proteger você contra ciberataques, mas também evita que você tenha que lidar com e-mails de redefinição de senha.
Objetivos comuns dos ataques de força bruta
Existem muitas razões pelas quais hackers visam sistemas de computador e bancos de dados em ataques de força bruta. Geralmente, eles estão em busca de dinheiro fácil ou querem causar pânico e desordem. Outros são motivados por seus egos.
Roubo de dados pessoais
Ao quebrar senhas, os invasores podem acessar detalhes confidenciais como e-mails, endereços, registros financeiros e números de identificação. Essas informações são muito valiosas para roubo de identidade, revenda na dark web ou para lançar ataques mais amplos. As violações corporativas são especialmente lucrativas, dando aos hackers acesso a grandes bancos de dados de clientes e dados de negócios.
Ganho financeiro
O objetivo final costuma ser o lucro. Uma vez dentro, os invasores podem esvaziar contas bancárias, explorar sistemas de pagamento ou cometer fraudes usando credenciais roubadas. Alguns também sequestram sites com anúncios de spam para arrecadar receita publicitária ou vender os dados de navegação das vítimas para profissionais de marketing.
Propagação de malware
Sistemas invadidos podem ser usados para implantar malware, ransomware ou porta dos fundos para ataques maiores por meio de e-mails falsificados, mensagens de texto ou sites falsos projetados para imitar os legítimos. Em alguns casos, o motivo é simplesmente o caos, ou pode ser para testar habilidades ou provar capacidade.
Prejudicar a reputação de uma empresa
Dados de clientes vazados, tempo de inatividade, exposição pública… um ataque de força bruta bem-sucedido é um pesadelo de relações públicas e pode ter consequências sérias para as empresas. É uma arma ideal para hackers que procuram minar a credibilidade e danificar a imagem de uma marca.
Ataques de força bruta em ação
Como em qualquer ciberataque, ninguém está imune. Em 2018, um ataque de força bruta comprometeu o Parlamento da Irlanda do Norte quando cibercriminosos invadiram as contas de e-mail dos membros da assembleia adivinhando repetidamente as senhas. Eles acessaram dados confidenciais e até mesmo excluíram contas, causando transtornos significativos.
Mesmo os maiores nomes online não são intocáveis. Em 2016, o Alibaba foi vítima de um ataque de força bruta que expôs os nomes de usuário e senhas de 99 milhões de usuários. E a ameaça só está crescendo. De acordo com o Relatório Global de Ameaças da Elastic de 2024, as técnicas de força bruta aumentaram 12% no último ano, representando quase 35% de todos os métodos de ataque no Microsoft Azure.
Ferramentas e tecnologias usadas em ataques de força bruta
Os ataques de força bruta não se resumem mais a adivinhações intermináveis e sem sentido. Os hackers modernos refinaram seus métodos, combinando estratégia com ferramentas sofisticadas para tornar o processo mais rápido, inteligente e muito mais perigoso.
Programas populares como Aircrack-ng, John the Ripper e Hashcat automatizam o processo de tentativa e erro em velocidades incríveis. Essas ferramentas podem testar listas enormes de senhas e até combinações complexas que levariam séculos para humanos adivinharem manualmente. A automação elimina as limitações de paciência e escala, permitindo que os invasores ajam como supervilões digitais.
Mas esses ataques de força bruta de ponta exigem um enorme poder de computação. Para acelerá-los, os hackers combinam a força bruta das CPUs com a capacidade de processamento paralelo das GPUs. As GPUs, originalmente construídas para tarefas com gráficos pesados, como jogos ou renderização de vídeo, podem processar milhares de tentativas de senha simultaneamente. Essa configuração híbrida reduz drasticamente o tempo necessário para invadir contas.
Com a automação sobreposta ao poder da GPU, os ataques de força bruta passaram de um trabalho manual e lento para ataques organizados e em grande escala. Os hackers agora podem atacar inúmeras contas de uma vez, pulverizando senhas fracas.
E os ataques de força bruta são apenas um exemplo de como o cibercrime está se tornando mais rápido e eficiente. Todos os dias, os invasores estão inovando. Estima-se que existam agora 190.000 novos ataques de malware a cada segundo.
Como ajudar a impedir ataques de força bruta
Os ataques de força bruta dependem da persistência, mas as defesas certas podem impedi-los. Veja como ajudar a manter suas contas e dados bem protegidos:
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Crie senhas complexas: escolha senhas fortes e exclusivas com pelo menos 15 caracteres aleatórios, idealmente mais.
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Use uma passphrase: melhor ainda, use passphrases, frases memoráveis unidas que são mais fáceis de lembrar, mas muito mais difíceis de quebrar. Evite escolhas comuns ou qualquer coisa ligada a você pessoalmente, como seu time favorito ou local de nascimento.
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Use um gerenciador de senhas: um gerenciador de senhas gera senhas fortes e únicas e as armazena com segurança em um cofre criptografado. Com preenchimento automático e sincronização de dispositivos, ele também torna os logins diários mais rápidos e seguros.
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Use autenticação de dois fatores ou autenticação multifator: a autenticação de dois fatores (2FA) ou autenticação multifator (MFA) adiciona uma camada extra de segurança às contas. Seja um código SMS único, um app autenticador ou uma digitalização de impressão digital, essa etapa extra mantém os invasores afastados, mesmo que eles adivinhem sua senha.
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Limite as tentativas de login e use o CAPTCHA: restringir as tentativas de login e adicionar o CAPTCHA torna muito mais difícil para os bots automatizados forçarem a entrada nas contas.
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Proteja os dados com salting e hashing: o hashing transforma uma senha em uma sequência irreversível de caracteres, enquanto o salting adiciona um elemento aleatório e exclusivo antes do hashing. Juntos, eles tornam os dados roubados muito mais resistentes à descriptografia.
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Monitore as contas em busca de atividades suspeitas: configure alertas ou monitoramento para logins incomuns, tentativas de login malsucedidas ou transações inesperadas. Identificar sinais de alerta precocemente pode ajudar você a impedir tentativas de força bruta antes que causem danos.
Ajude a prevenir ataques de força bruta com o AVG BreachGuard
Do gerenciamento de senhas ao monitoramento e análise em tempo real, o AVG BreachGuard ajuda a proteger seus dados confidenciais contra ataques de força bruta e outras ciberameaças. Além de criar e armazenar logins fortes e exclusivos, ele verifica continuamente a Internet em busca de dados pessoais expostos, possivelmente alertando você sobre vazamentos antes que os criminosos possam explorá-los. Assuma o controle de sua segurança online hoje mesmo.